João
Sotero
Escultura 2003
Quem conhece o trabalho do João Sotero percebe que esta nova série de esculturas é um voltar aos seus primeiros trabalhos de nós e laços, enraizados numa tradição portuguesa que advém dos nós manuelinos. Depois de um segundo período de vários anos de exploração da forma humana, isto é um retorno inspirado às origens. Enquanto os nós eram quadrados e estáticos, esta nova série está cheia de movimento e drama. Agora a vida das formas humanas entrou nas abstracções resultando em formas redondas e dinâmicas, que se desenlaçaram da prisão do nó. Alguns deste antípodas ou (h)alteres como o autor lhes prefere chamar, ainda têm a dignidade dos nós abstractos, mas a maior parte delas transmitem emoções profundamente humanas. Vemos as suas bases sólidas que permitem a luta contra a gravidade, levando nalguns casos à vitória, num erguer firme e elegante, mas noutras à derrota dramática em que o orgulho é quebrado no dorso ou o peso obriga à voltar ao repouso na terra.
Esta série de ensaios sobre peso, força, equilíbrio e gravidade é um trabalho extraordinário em que o humano é exprimido e apurado através do abstracto.
Hans Welling
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